Um jogo
Um beijo
Um desejo
Que é meu
Que é teu
Que poderia ser nosso
Foste
Fui
Fomos
Foi
Por uma vontade
Por um beijo
Por um desejo
Por mim
Por ti
Por uma tarde
Por uma noite
Por uma manhã
Contigo.
Eu confio.
Porque confiar é sentir
E eu sinto…
Sinto aquela vontade
Aquela que tu tambem sentes
Aquela…
Vamos agarra-la
Vamos brincar com ela
Vamos confiar nela.
Porque ela nos mostra um caminho
Porque ela nos faz seguir…
Como uma estrela
Como a estrela que aparece sempre no céu
Aperece lá todas as noites…
É sempre a primeira a brilhar.
E por ser a primeira é a mais bonita
É a mais pura…
Deixa que seja ela a iluminar o nosso caminho…
Eu confio.
E tu?

O frio quente que batia na nossa face fazia-nos desejar loucuras. O mar ia e vinha num movimento constante. As nossas pegadas ficavam marcadas no enorme areal por onde passeávamos. De mão dada. Caminhámos num passeio sem fim… Sentámo-nos na areia fria e contemplámos o mar… As núvens cobriam a lua e qualquer astro que do céu nos pudesse observar. E ali. Ali a observar o mar. Ali. Ali com o desejo a aumentar… Fui. Tirei a roupa e fui. Aquele mergulho na água gélida fez todo o meu corpo regelar… Mas soube tão bem! Era a primeira vez que ganhara a coragem necessária para mergulhar nas frias águas do mar em pleno inverno. Tu olhavas-me perplexo. Eu sabia que também tu lutavas contra a tua vontade… Porque não fazer como eu e… E deixa-te ir. Deixa os teus medos e as tuas dúvidas enterradas na areia e vem. Vem ter comigo nesta água fria deste mar sem fim. Vem. E tu vieste.
Brincámos como duas crianças. Brincámos como nunca antes haviamos feito. Brincámos. Naquela praia só nossa. Sem que ninguém nos visse. Naquele sonho. Aquele pequeno sonho que tu sabes ser feito de algodão doce… Como as núvens que tapavam a lua! E naquela escuridão em que a praia se apresentava… Naquela escuridão fria… Nós lembrámos o Verão. Lembramos os longos banhos que tomámos naquela praia e todas as outras aventuras que lá passamos… Lembrámos os nossos amigos e todas as nossas brincaderias… Lembrámos, lembrámos as recordações…
Foi o teu olhar que denunciou a tua intenção… Quando me olhaste daquela maneira eu soube o que querias… Mas aí mantiveste o segredo. Não disseste nada até ao momento de ir embora… Tu não falavas mas o teu corpo transmitia algo que ninguém, nem mesmo tu, notava. Mas eu entendi. Após tanto tempo contigo, pensavas que não entendia? A cumplicidade, às vezes, fala por si.
A certeza. A certeza veio pelo caminho… Ainda por cima eras tu o único que tinha carro. Eras tu que mandavas e estávamos todos dependente da tua vontade. Aquele trajecto tão cuidadosamente organizado deixava-te a possibilidade de voltar atrás. Vinhas buscar-me uma vez mais depois de toda a gente estar já em casa. Vinhas em segredo e partilhava-lo comigo. Mas nada correu como planeaste. A ausência de uma resposta quando me perguntaste “Que achas da ideia?”… Ficaste com dúvidas… Eu já as tinha. Mas fui…
Vieste buscar-me para irmos até à praia. Passeamos perto do mar, sentámo-nos, falámos, brincámos e os teus beijos fizeram-me esquecer o frio… Fizeram-me esquecer tudo. Todo aquele tempo em que andámos a passear de mãos dadas, abraçados… Todo aquele tempo que estivemos abraçados, agarrados…
A magia deste momento voava à nossa volta e reluzia no mar… Sim, foi mais que perfeito! Eu era a tua princesa novamente e tu aquele principe encantado que vive para ver o meu sorriso… És tu o responsável pela pureza dele.
Rodavas-me nos teus braços só para me teres perto de ti, beijavas-me como se tivesses medo que este momento acabasse sem te despedires… Mas mesmo assim não te despedias, era como se me dissesses “olá” com os teus olhos…
E o momento ficou. Ficou gravado numa memória, ou melhor na nossa memória. Aquele álbum que de vez em quando abrimos para lembrar os nossos momentos únicos contém mais sentimentos que qualquer uma destas palavras. Nenhuma destas palavras pode carregar o peso de um sentimento. Nenhuma destas palavras tem responsabilidade suficiente para te dizer “amo-te”.

Tu és uma estúpida.
Tu foges de mim para passar os dias na borga.
Tu agarras-te a mim quando me vês só para eu pensar que gostas de mim.
Por vezes, tens a mania de pegar naquele teu vício nojento, imundo e mal cheiroso.
Não és apenas chata, tu consegues não parar de me chatear durante mais de 1 hora.
Tu finges que as nossas conversas são importantes para ti.
Tu insistes em partilhar as tuas opiniões comigo.
Por alguma razão, não te cansas das nossas noites.
Nem o frio te faz ir para casa.
Tu não tens vergonha nenhuma.
Tu és a coisa mais egoista, egocêntrica, chata e má-lingua que conheci em toda a minha vida.
Mas eu amo-te e acho que és perfeita.
Era ainda madrugada quando me acordaste de mansinho, como que com um doce beijo no rosto, lembraste? Fizeste-me sorrir com o teu jeito maroto e o teu suave carinho. E durante a longa manhã conseguiste manter o meu sangue quente, fazer o meu desejo aumentar com o passar do tempo. Não aguentei a vontade! Tinha que te ter! Àquela hora em que toda a tua energia incidia sobre mim… Ao tocar das doze, tu foste meu e eu fui tua.
Ficaste a meu lado. Abraçavas-me a cada segundo que corria mas sem que me apercebesse deixaste lentamente de o fazer. E de toda a esperança fez-se a desilusão… Não és mais que um Sol tardio que se quer esconder e que finge me aquecer. Mas nao aqueces. Deixas-me na ilusão da tua luz e no frio da minha solidão. Assim não. Prefiro esperar que a noite passe, apesar de não te ver, e que ao amanhecer venhas para me voltares a aquecer. Aí sim. Fugirei daquilo a que chamam sombra e… E talvez mais tarde volte a acabar… Mas até lá a noite terá de passar!
E um beijo…
E um carinho…
E um desejo…
E o teu corpo…
Tal como eu o lembrava
Tal como eu o desejava
Perto,
Bem perto
Tão perto que até sinto o teu calor
Tão perto…
Sem espaço para o ar
Sem espaço para sonhar
O sonho apenas voa…
Voa no pequeno quarto branco
Voa por entre os nossos dedos
As nossa mãos entrelaçadas
As nossa bocas juntas
E aquela pequena cama…
Chega de falar!
Tudo o que eu digo não é novidade
Lês o meu pensamento
Lês os meus olhos
Lês todo o meu corpo
E fazes dele o teu corpo
Deixando o teu ser também meu…
Fazes-me sentir-te
Deixas-me sem reacção
Enches-me de vontade
Fazes-me querer mais!
Mais!
Muito mais!!
Perco a noção do espaço!
Perco a noção de tempo!
E é aquela hora em que o Mundo é perfeito…
Agarras-me fortemente contra ti… Queres aquilo que eu desejo mas que sei ser proibido. Investes. Eu deixo-te agarrares-me ao colo… Como se o tempo parasse e eu tivesse ali sozinha contigo. E estou ali sozinha… Chorar. Chorar por alguém que apenas pensa em si. Egocentrismo egoísta! Olha-me nos olhos e mostra o teu verdadeiro eu… Aquele que eu conheço, conhecia e gostava de continuar a conhecer. Talvez a desilusão seja demasiado grande… Talvez tentar conhecer-te por dentro não passa de um eterno labirinto onde constantemente me perco. Acabará por chegar a altura em que desistirei. Desistirei de tudo! Viver nesta confusão que atormenta é demasiado pesado para uma pequena menina. É incrível como o amor nos torna tão pequenas e tão frágeis… A fragilidade de um copo de cristal associada a um conto de fadas imaginado todos os dias ao acordar… O príncipe encantado e o namorado perfeito não são coisas que na realidade invadem a rua. Nem com a chuva a limpar todos aqueles que um dia se acharam capazes de brincar com puzzle que o coração consegue ser o Mundo fica mais cor-de-rosa, mais azul, mais verde ou até mais laranja. O arco-íris teima em apagar-se lentamente como que um sorriso que se esvane da boca de alguém… E é assim que dói. E é assim que esta lágrima que choro por ti vai ser a última. Aproveita-a bem!




