Adolescência no Seu Pior











{Setembro 20, 2011}   Tempo

O tique-taque do relógio persegue o meu silêncio. Procuro um momento sem ele, um momento em que possa não contar o tempo. Porque se eu contar os segundo, minutos, horas e dias… Se eu contar as semanas, os meses e até mesmo os anos, o que serei eu? Não passarei de alguém que simplesmente viu a vida passar. Não quero. Não quero ver, quero viver. Quero estar lá e sentir como são as coisa. Quero tentar, errar e aprender… E se não aprender à primeira, aprendo à segunda. Quero arriscar e dizer o que penso, o que sinto e o que acredito. Quero, simplesmente quero… E vou fazê-lo.



{Janeiro 31, 2010}   Contradição

Não és Homem, não és nada! És um cobarde! Foges da dificuldade de uma pergunta, desapareces no meio de uma frase, ergues a revolta que há em mim. Não és nada. Não significas nada. E no entanto fazes-me sentir algo, algo estranho, algo diferente. Desejo. Desejo-te longe. Longe de mim. Não ter de me lembrar de ti, não perguntar por ti, não saber quem és. Eu sei bem quem és. Não passas de um miúdo mimado. Achas-te maior que o Mundo, pensas conseguir tudo o que queres… Que queres tu? Não és Homem para responder a uma pergunta. Não és Homem para nada. Não és Homem para ninguém.
Eu, eu que afirmo existir um “Homem da minha vida”… Eu que na verdade não sei do que falo… Eu que te desejo tão longe… Sou a mesma que passo a vida a perguntar por ti, que me lembro de ti no desenrolar de uma simples conversa… Eu que me perco num sonho contigo…

Não vou procurar quem espero, se no fundo te encontrei.



{Novembro 4, 2009}   Foi…

Um jogo
Um beijo
Um desejo
Que é meu
Que é teu
Que poderia ser nosso
Foste
Fui
Fomos
Foi
Por uma vontade
Por um beijo
Por um desejo
Por mim
Por ti
Por uma tarde
Por uma noite
Por uma manhã
Contigo.



{Fevereiro 15, 2009}   Confiança

Eu confio.
Porque confiar é sentir
E eu sinto…
Sinto aquela vontade
Aquela que tu tambem sentes
Aquela…
Vamos agarra-la
Vamos brincar com ela
Vamos confiar nela.
Porque ela nos mostra um caminho
Porque ela nos faz seguir…
Como uma estrela
Como a estrela que aparece sempre no céu
Aperece lá todas as noites…
É sempre a primeira a brilhar.
E por ser a primeira é a mais bonita
É a mais pura…
Deixa que seja ela a iluminar o nosso caminho…
Eu confio.
E tu?



{Fevereiro 2, 2009}   Mergulhar Em Recordações

hpim9977

O frio quente que batia na nossa face fazia-nos desejar loucuras. O mar ia e vinha num movimento constante. As nossas pegadas ficavam marcadas no enorme areal por onde passeávamos. De mão dada. Caminhámos num passeio sem fim… Sentámo-nos na areia fria e contemplámos o mar… As núvens cobriam a lua e qualquer astro que do céu nos pudesse observar. E ali. Ali a observar o mar. Ali. Ali com o desejo a aumentar… Fui. Tirei a roupa e fui. Aquele mergulho na água gélida fez todo o meu corpo regelar… Mas soube tão bem! Era a primeira vez que ganhara a coragem necessária para mergulhar nas frias águas do mar em pleno inverno. Tu olhavas-me perplexo. Eu sabia que também tu lutavas contra a tua vontade… Porque não fazer como eu e… E deixa-te ir. Deixa os teus medos e as tuas dúvidas enterradas na areia e vem. Vem ter comigo nesta água fria deste mar sem fim. Vem. E tu vieste.
Brincámos como duas crianças. Brincámos como nunca antes haviamos feito. Brincámos. Naquela praia só nossa. Sem que ninguém nos visse. Naquele sonho. Aquele pequeno sonho que tu sabes ser feito de algodão doce… Como as núvens que tapavam a lua! E naquela escuridão em que a praia se apresentava… Naquela escuridão fria… Nós lembrámos o Verão. Lembramos os longos banhos que tomámos naquela praia e todas as outras aventuras que lá passamos… Lembrámos os nossos amigos e todas as nossas brincaderias… Lembrámos, lembrámos as recordações…



{Janeiro 1, 2009}   Princesa Mais Uma Vez…

Foi o teu olhar que denunciou a tua intenção… Quando me olhaste daquela maneira eu soube o que querias… Mas aí mantiveste o segredo. Não disseste nada até ao momento de ir embora… Tu não falavas mas o teu corpo transmitia algo que ninguém, nem mesmo tu, notava. Mas eu entendi. Após tanto tempo contigo, pensavas que não entendia? A cumplicidade, às vezes, fala por si.
A certeza. A certeza veio pelo caminho… Ainda por cima eras tu o único que tinha carro. Eras tu que mandavas e estávamos todos dependente da tua vontade. Aquele trajecto tão cuidadosamente organizado deixava-te a possibilidade de voltar atrás. Vinhas buscar-me uma vez mais depois de toda a gente estar já em casa. Vinhas em segredo e partilhava-lo comigo. Mas nada correu como planeaste. A ausência de uma resposta quando me perguntaste “Que achas da ideia?”… Ficaste com dúvidas… Eu já as tinha. Mas fui…
Vieste buscar-me para irmos até à praia. Passeamos perto do mar, sentámo-nos, falámos, brincámos e os teus beijos fizeram-me esquecer o frio… Fizeram-me esquecer tudo. Todo aquele tempo em que andámos a passear de mãos dadas, abraçados… Todo aquele tempo que estivemos abraçados, agarrados…
A magia deste momento voava à nossa volta e reluzia no mar… Sim, foi mais que perfeito! Eu era a tua princesa novamente e tu aquele principe encantado que vive para ver o meu sorriso… És tu o responsável pela pureza dele.
Rodavas-me nos teus braços só para me teres perto de ti, beijavas-me como se tivesses medo que este momento acabasse sem te despedires… Mas mesmo assim não te despedias, era como se me dissesses “olá” com os teus olhos…
E o momento ficou. Ficou gravado numa memória, ou melhor na nossa memória. Aquele álbum que de vez em quando abrimos para lembrar os nossos momentos únicos contém mais sentimentos que qualquer uma destas palavras. Nenhuma destas palavras pode carregar o peso de um sentimento. Nenhuma destas palavras tem responsabilidade suficiente para te dizer “amo-te”.



{Dezembro 2, 2008}   Meu Sol

Era ainda madrugada quando me acordaste de mansinho, como que com um doce beijo no rosto, lembraste? Fizeste-me sorrir com o teu jeito maroto e o teu suave carinho. E durante a longa manhã conseguiste manter o meu sangue quente, fazer o meu desejo aumentar com o passar do tempo. Não aguentei a vontade! Tinha que te ter! Àquela hora em que toda a tua energia incidia sobre mim… Ao tocar das doze, tu foste meu e eu fui tua.
Ficaste a meu lado. Abraçavas-me a cada segundo que corria mas sem que me apercebesse deixaste lentamente de o fazer. E de toda a esperança fez-se a desilusão… Não és mais que um Sol tardio que se quer esconder e que finge me aquecer. Mas nao aqueces. Deixas-me na ilusão da tua luz e no frio da minha solidão. Assim não. Prefiro esperar que a noite passe, apesar de não te ver, e que ao amanhecer venhas para me voltares a aquecer. Aí sim. Fugirei daquilo a que chamam sombra e… E talvez mais tarde volte a acabar… Mas até lá a noite terá de passar!



{Novembro 29, 2008}   Pequeno Quarto Branco

E um beijo…
E um carinho…
E um desejo…
E o teu corpo…
Tal como eu o lembrava
Tal como eu o desejava
Perto,
Bem perto
Tão perto que até sinto o teu calor
Tão perto…
Sem espaço para o ar
Sem espaço para sonhar
O sonho apenas voa…
Voa no pequeno quarto branco
Voa por entre os nossos dedos
As nossa mãos entrelaçadas
As nossa bocas juntas

E aquela pequena cama…
Chega de falar!
Tudo o que eu digo não é novidade
Lês o meu pensamento
Lês os meus olhos
Lês todo o meu corpo
E fazes dele o teu corpo
Deixando o teu ser também meu…
Fazes-me sentir-te
Deixas-me sem reacção
Enches-me de vontade
Fazes-me querer mais!
Mais!
Muito mais!!
Perco a noção do espaço!
Perco a noção de tempo!
E é aquela hora em que o Mundo é perfeito…



{Outubro 19, 2008}   Labirinto Que Tu És

Agarras-me fortemente contra ti… Queres aquilo que eu desejo mas que sei ser proibido. Investes. Eu deixo-te agarrares-me ao colo… Como se o tempo parasse e eu tivesse ali sozinha contigo. E estou ali sozinha… Chorar. Chorar por alguém que apenas pensa em si. Egocentrismo egoísta! Olha-me nos olhos e mostra o teu verdadeiro eu… Aquele que eu conheço, conhecia e gostava de continuar a conhecer. Talvez a desilusão seja demasiado grande… Talvez tentar conhecer-te por dentro não passa de um eterno labirinto onde constantemente me perco. Acabará por chegar a altura em que desistirei. Desistirei de tudo! Viver nesta confusão que atormenta é demasiado pesado para uma pequena menina. É incrível como o amor nos torna tão pequenas e tão frágeis… A fragilidade de um copo de cristal associada a um conto de fadas imaginado todos os dias ao acordar… O príncipe encantado e o namorado perfeito não são coisas que na realidade invadem a rua. Nem com a chuva a limpar todos aqueles que um dia se acharam capazes de brincar com puzzle que o coração consegue ser o Mundo fica mais cor-de-rosa, mais azul, mais verde ou até mais laranja. O arco-íris teima em apagar-se lentamente como que um sorriso que se esvane da boca de alguém… E é assim que dói. E é assim que esta lágrima que choro por ti vai ser a última. Aproveita-a bem!



{Outubro 5, 2008}   Super-Mulher

E sai. Com a sua enorme capa a voar ao vento, a Super-Mulher está preparada para enfrentar mais um terrível dia. O céu enublado não motiva a nossa heroína a continuar o seu passo apressado. É mais um dia de vida normal. Um dia em que pode chover, em que a capa pode ficar presa numa pedra que se encontra no mesmo sítio de sempre e que lá continuará por tempo indefinido, em que tudo é igual e tudo é diferente.
Mas ela vai. Caminha alegremente para a escola com a sua capa. A capa que tão cuidadosamente foi escolhida para combinar com os sapatos e com a camisola… Sim, porque a Super-Mulher não pode andar aí mal vestida!
Após enfrentar todos os enormes obstáculos que tentam evitar o sucesso desta importantíssima missão eis que chega á escola. Entre letras e números, palavras e equações, todo o tempo passa a uma velocidade astronomicamente baixa de modo a criar um grave problema à nossa heroína preferida: o Tédio. O Tédio é o que se pode considerar um inimigo de longa data e que teima em reaparecer várias vezes ao dia a fim de infernizar a vida de vários Super Heróis. A Super-Mulher é só mais uma entre muitos. Apesar da enorme resistência que o Tédio demonstra… A sua tarefa não é concretizada e este é afastado de todos com um simples toque de campainha.
As aulas acabaram e sem que ninguém repare a Super-Mulher volta calmamente para casa. As tarefas de casa são agora a sua missão. Entre Loiças Assassinas e Roupa Carnívora, Aspiradores Sugadores e Esfregonas Ninja esta heroína luta desenfreadamente conseguido domar todas estas criaturas e proporcionar ao seu lar um ambientem mais acolhedor e arrumado.
Após todas estas lutas, a Super-Mulher decide finalmente descansar. Mas o traiçoeiro Amor espera-a só para a fazer chorar. Ao chegar à sua sala de descanso tranquila ela dá de caras com o seu inimigo mortal que a espera no cadeirão de cabedal. A nossa heroína já sabe que a luta vai ser complicada e por isso larga tudo o que tem para puder defender-se dos golpes baixos deste bandido que teima em atingi-la… Desvia-se de um ataque e depois de outro… Usando o seu raio laser a Super-Mulher ainda consegue atingir o terrível Amor ferindo-o ligeiramente. Mas a sede de se derrotarem é tanta que a luta parece não ter fim. Se alguém tivesse a coragem de assistir a esta terrível luta apenas veria os lasers que voam pelo ar. A sala é transformada num campo de guerra onde… Oh não! A Super-Mulher foi atingida!!! A esperança desta luta perdeu-se… Agarrada à capa, a nossa grande heroína sofre nas mãos do terrível Amor sem que nada possa fazer… Apenas a sua força a mantém viva… Enquanto ela sofre uma agonia tremenda, o seu inimigo sorri sarcasticamente.
A felicidade desta criatura provém das lágrimas dos outros… Após muito esforço da nossa corajosa heroína eis que cai uma lágrima… Nem a Super-Mulher está livre deste terrível destino.



et cetera
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