Adolescência no Seu Pior











{Fevereiro 24, 2012}   Milagres

Os milagres não existem.
Aquelas alturas em que esperamos que algo aconteça ou que alguém faça algo que, teoricamente, não faria… Bem, logo por aqui se vê que esses acontecimentos não existem. Se sabemos que é algo que não vai acontecer ou que de probabilidade tem muito pouco, porquê esperar?
Na verdade, não é intencional, simplesmente acontece. Sonhos, idealizações perfeitas, cenas de cinema… Acabamos por colocar nas pessoas o peso dos nossos sonhos, dos nossos quereres… Coitados dos pobres que carregam aos ombros as ideias que tenho deles, as esperanças que tenho neles, no fundo, a minha felicidade. Não é correcto, não é ético mas é tão fácil de fazer… É tão recorrente… Provoca tantas vezes a desilusão… Mas se sabemos que as pessoas não o vão fazer, porquê esperar?

Se acredito em milagres? Acredito. E espero por um todos os dias simplesmente porque vale a pena.



{Novembro 18, 2011}   A História dos Três Fins

Era uma vez, há muito muito tempo, uma rapariga que conheceu um rapaz… Se ela fosse uma bonita princesa e morasse num grande castelo talvez esta história fosse contada aos mais novos de geração em geração… Mas não é! O rapaz, por seu lado também não é nenhum principe encantado que procura a sua amada num cavalo branco… São apenas um rapaz e uma rapariga como tantos outros… Mas nesta história ambos se tornam reis. O seu reino não era visível para os outros, cada um era rei do mundo do outro… E foram felizes os dois de mãos dadas durante algum tempo. Mas como sempre, a vida dá a volta a tudo… Agora separados, por mais que estendam a mão ninguém está lá para a agarrar… Tudo isto foi uma decisão… Malditos reis que às vezes não entendem o que o povo precisa… Ou foi, talvez, uma maldição… A verdade é que uma simples história ganhou três fins. Três possibilidades de se ser feliz… Até agora, três incógnitas… A escolha já não está nas mãos de ninguém… Está perdida numa aragem fria da manhã que leva os dias consigo… Dia a dia… Passando cada dia… Como se fosse o arrancar das folhas de um calendário na esperança que o dia em que o príncipe encantado venha para junto da sua amada… Ou o contrário, pois não queremos ferir susceptibilidades… É sempre possível imaginar o contrário… Mas neste caso é só um rapaz e uma rapariga… É só uma história… E só um conjuntos de fins sonhados de tantas maneiras… Porque todas as opções devem ser analisadas ao pormenor… Não vá um detetive entrar na história e encontrar o culpado… Aqui não há culpa nem culpado… Aqui há futuro… Ou talvez não… O que interessa é que há um rapaz e uma rapariga, um futuro incerto, um de três fins e, a cima de tudo, um sonho.



{Outubro 30, 2011}   Surpresa

Saí de casa sem saber ao certo o que ia acontecer. Sabia tão bem que queria ir mas não sabia o que esperar de ti… É o mal das surpresas, nunca se sabe o que nos espera… Qual a reacção que vais ter… Se eu pudesse adivinhar, talvez fosse mais confiante ou talvez nem fosse… Mas fui. Percorri estas ruas tão conhecidas e movimentadas. Fui. A cada segundo estava mais perto de ti… A cada segundo que passava estava cada vez mais perto de ti… De te abraçar, de te beijar, de te ver a cima de tudo. Mas já me estou a adiantar… Quem sabe o que mudou neste tempo que passou? Nem tu nem eu podemos partir do princípio que tudo está igual… Podemos apenas esperar que as coisas não estejam assim tão más…
Fui. Sem saber bem onde era, na loucura da aventura… Desci as escadas em direcção ao sítio onde eu sabia que tu estavas… O meu coração acelerava à medida que eu ia avançando no escuro… Estava nervosa, admito que sim… Mas continuei… E tive a certeza que era isto que queria quando ouvi a tua voz… Estávamos tão perto e no entanto tu não fazias ideia… Ganhei coragem, venci o medo, suspirei e entrei… E ali estava eu… A olhar para ti como se de um sonho se tratasse… Naquele momento percebi que todos os acasos fizeram sentido por uma razão, tudo tinha sido perfeito… E, naquele momento, eu soube que tinha sido uma boa ideia…



{Outubro 25, 2011}   Mão

Estranha. Uma estranha. É isso que sou. Algo diferente do que era quando aqui cheguei. Estranha. Como estas ruas frias, como esta língua… Estranha. Costumes e hábitos tão diferentes dos meus… Pequenas coisas que me rodeiam e que criam em mim memórias. Que irão criar em mim saudades como aquelas que sinto da minha terra. Minha, só minha!
Passeio pelas ruas encasacada… E mesmo assim tenho frio. Por todo lado vejo mãos… Símbolos desta cidade. Por todo lado vejo mãos… E eu só quero dar-vos a minha… Agarrar-me a ela para me dar força para continuar. Por apenas um segundo que seja… Um momento. Um sonho, é o que é… Estou aqui e vocês não… Estão lá e eu não… A minha vida simplesmente não é a mesma sem vocês ao meu lado.
Fecho os olhos. Sinto o ar gélido na minha cara. Fecho os olhos e é como se vos ouvisse chamar por mim, é como se… Como se estivessem aqui, ao meu lado, a dar-me a mão. 



{Agosto 9, 2011}   Altura Certa

Não imaginei. Nunca quis crer que as coisas iriam dar certo e que tudo correria bem. E ainda não creio. A qualquer momento arranjo um pretexto para discutir contigo e deitar tudo a perder. Por razões sem cabimento eu imagino o fim. É só mais um fim… Só vamos deixar de falar e perder tudo… Mas não vamos, porque apesar de tudo, é ao pé de ti que me sinto bem.
Depois de tanto tempo a negar, depois de tanto tempo a dizer que não e a arranjar desculpas, agora é, finalmente, a altura certa. 



{Abril 29, 2011}   Sonhar Acordada

Eu tinha um texto guardado numa gaveta que falava de alguém. Um alguém que eu não sei quem é mas que conheço muito bem. Esse texto contava a história de uma vida perfeita, contava a história de um sonho. E eu sonhei-o no meio daquelas palavras e frases. Eu percorri aqueles dias e aqueles sentimentos como se fossem meus. Mas não eram. Nunca foram. E talvez nunca serão. Porque o rapaz ideal não existe e o homem da nossa vida pode nunca aparecer. Mas mesmo assim eu sonho. A culpa pode ter sido das histórias de encantar que me contavam para adormecer. Nessa altura, os sonhos cor de rosa inundavam a noite mas terminavam com o nascer do dia. Agora é o contrário. Todos os dias imagino uma vida que não é minha com vários episódios irreais e irrealizáveis. Quando ao texto, fechei-o à chave na gaveta para não me lembrar mais dele.



{Março 28, 2011}   Sonhos Em Segredo

És uma mágoa distante de saudade.
Um borrão num momento que passou e uma vaga marca deixada.
És uma miragem de algo que podia ter sido sonhado.
Algo que foi pensado e meditado.
Algo que, pela a amizade, foi esquecido.
Eu esqueci.
E o que, em segredo, sonhei.
Deixei que o tempo passasse por entre as nossas brincadeiras.
Ria como criança a olhar para ti.
Tinha, contigo, momentos que preenchiam o dia.
Sem que eu reparasse, tornaste-te uma necessidade.
Precisava da tua atenção.
Precisava de ti.
Tinha saudades tuas.
Saudades.
Palavra sem definição que tão bem caracteriza isto.
Isto que nada é.
Isto que tudo foi.
E tudo passou.
E podia ter sido.
E tudo teria sido diferente.
Por uma frases.
Uma frase dita na loucura.
Um momento de fraqueza.
Em que disse o que há muito quis dizer.
Em que disse aquilo que nunca devia ter sido dito.

Porque tu podes ser igual a tantos outros,  mas na igualdade és a diferença que me fazia sentir especial.



{Novembro 16, 2010}   How do you know He is the One?

Só porque o “porque sim” não é algo que se diga. A minha mãe sempre me disse que isso não era uma resposta. Não é, na verdade, uma justificação mas sim algo que apenas te faz fugir de uma pergunta, fugir de uma resposta, fugir daquilo que não te dás ao trabalho de pensar. Tomar algo como garantido é perder os pequenos prazeres de uma pequena frase, de um sorriso ou de um olhar. É ser algo que sobrevive à vida vivida por outros e faz dela uma história sem interesse para quem ouve e para quem conta. É simplesmente algo que se perde no meio de uma lembrança.
Mas, sem saberes, sabes que não podes viver sem os pormenores que ele traz à tua vida, podes não ver que o sorriso te faz feliz mas sente-lo quando não o vês. Uma necessidade quase física que te faz o coração correr a maratona e saltar obstáculos. A coragem de dar o primeiro passo, a vergonha de dizer “Gosto de ti”, o medo de ouvir um “não” só porque sim. Essa palavra tão garantida em todo o lado. Essa palavra que te impede de tentar. Tentar encontrar o final feliz.
Eu tentei. Num dia qualquer, numa hora qualquer, eu tentei perceber o porquê de seres tu.



{Junho 30, 2010}   Dizer e Escrever

Não digo, não quero dizer. Não tenho nada a dizer para além do que já disse, dos nossos olhares. Porque os meus olhos falam tanto como os teus. Porque tu lê-los. Porque olhas. Porque me olhas? Não tens razões para o fazer, para o justificar, para o voltar a fazer. Explica-te. Explica-me. A tua maneira de ser tão peculiar e tão complicada de entender. Há tanta coisa que eu não entendo em ti, em mim, num nós que nunca existiu. Porquê? A eterna pergunta que fica sempre suspensa. Mas tu não vais responder, não queres dizer. E eu não quero dizer.
Não digo, escrevo.
Escrevo. Escrevo letra a letra e palavra a palavra. Escrevo-te, descrevo-te, imagino-te numa perspectiva de romance literário. Onde não és perfeito, onde não tens mais qualidades que defeitos. És igual. És diferente. És o mesmo… E serás sempre o mesmo. Não vais mudar, não vais crescer. Nunca serás a descrição que uma caneta traçou. Nunca serás a sombra de um sonho contado num livro. Nunca. Um dia.
Um dia não escrevo, digo.



{Setembro 9, 2009}   CBR city

Saída agora do que chamam Liceu e pronta para enfrentar o Mundo adulto, entro carregada no comboio com a grande mala dos sonhos e  o malote de recordações. Um lugar calmo no fundo da carruagem espera por mim como se sentisse o meu desejo de me sentar nele. A única razão que me chamou a atenção foi a janela. A pequena janela que me permite despedir-me, mais uma vez, da minha terra.
Partiu. Sem atrasos, vou agora para um sonho sonhado durante anos e anos. Vejo os postes passar rapidamente através da pequena janela. Cada um que vai ficando para trás traz consigo uma memória. Mais uma para juntar ao malote que carrego comigo.
Cidade imponente e altiva, observa-se ao longe a tua magnificiência, pareces tão pequenina… À velocidade do comboio em que viajo, vejo-te crescer lentamente, como se fosse eu que crescesse tão rapidamente. E agora que estou em ti, volto a pegar nas malas e, enfrentando o medo, invado-te. A pressa que se vê nas tuas ruas que mal conheço faz-me sentir viva e todos os sonhos que eu tinha esperam realizar-se ao virar da esquina. Portas abertas à minha espera, oportunidades que sempre sonhei, e todo aquele teu ar de adulta faz em mim despertar o rio da minha vida a correr para a foz, correr para uma vida que continua guardada na mala.
Malas que pesam mais que chumbo… Caminho nos passeios de pedra contemplando todo o teu esplendor. E tu que nem paras para me dizer olá. Terra que não pára nem deixa parar. Pessoas que correm entre autocarros e lojas, empregos e casas, universidade e noites… O contraste que me apresentas nas tuas ruas, o empenho e a responsabilidade em contraste com o doce descanso e o puro divertimento. Desejo perder-me! Perder-me em ti por 3 anos, perder-me em ti para sempre… E em ti formar-me como sou e quero ser. Formar-me em quem quero ser. E és tu que me abres as portas, és tu a chave do meu futuro.



et cetera
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