Olá.
Um olá escapado e sumido, um olá baixinho que esconde um carinho que um dia se foi escondendo atrás de um role de acontecimentos, de confusões, de chatices que em nada nos envolviam. Foram passando, cada um cavando um bocadinho do fosso que agora há entre nós. Está mesmo à nossa frente. Um fosso que apenas permite a passagem de um reles olá. Se os meus pensamentos voassem por cima deste fosso, se os pudesses sentir… Se. Conjunção condicional que condiciona uma amizade, ou o que resta dela. Condições.
Sei ter sido voz activa a cavar o fosso que cresce entre nós. Já nem lhe vejo o fim. Mas sempre me ensinaste a ultrapassar os obstáculos. Ainda é possível criar uma pequena ponte, ainda é possível atravessá-la. Encontrar-me diante de ti. Sozinhos. As saudades que tenho disso… E aí, para além de um olá, irias ver um sorriso imenso que te mostraria a falta que as nossas conversas me fazem. Uma conversa com dois intervenientes. Tu e eu. Sem pessoas a mais. Sem confusões. Sem nada para além de uma amizade que ultrapassa o fosso que a tentou esconder de nós.

O sonho é o principal motor de qualquer aventura…
Bora lá?
E chegou ao fim… Por uma mentira, por uma verdade… Nem eu sei! Talvez, ninguém saiba… Foi no momento em que a palavra “BASTA” deixou de ser um sussurro e passou a ser uma necessidade. Eu já a ouvia muito antes de ver as coisas como hoje vejo, eu já a sentia lá, no seu cantinho, a tentar chamar-me à razão… Sempre a calei, sempre a abafei com imagens tuas que eu pensei serem reais. Eram tão reais na minha imaginação… Faziam cor-de-rosa todos os meus pensamentos… Faziam…
Foi o fim. Um fim feliz, triste, cheio de amor, de ódio, de amizade… Isso só o tempo o dirá… Mas, neste momento, vejo o céu cinzento, vejo as árvores de um verde morto e o Sol já não me ilumina os passos… Não vejo amizade, não vejo amor… Não vejo nada que outrora tivemos… Penso eu que tivemos… Mas, apesar de todo este ambiente hostíl e triste, estou feliz. Estou feliz porque consigo ver as coisa como elas são e não como eu cria que elas fossem… Consigo ver-te como és e não como tracei a tua personalidade e a tua maneira de ser… Se calhar, nem tu já conheces o meu interior como conhecias…
Por fim… Por fim estás livre para ser quem és… Vai. Não há mais nada que te prenda aqui. Já não há ninguém que possas magoar… Vai. Terás sempre todo o meu apoio. E eu sei que terei o teu.
Deixa o sonho dos sapatinhos de cristal e sente com os teus próprios pés os árduos caminhos da realidade…
Ditadura Salazarista.
Viva a Liberdade…
Ninguém podia ousar querer fazer algo para mudar o governo…
(Mas havia quem, no meio da ferrada noite, sussurrasse entre dentes:)
Viva a Liberdade…
(Um sussurro que se perdia por entre berros distantes…)
A PIDE prendera mais um, mais um seria torturado.
Viva a Liberdade…
Reunidos em segredo, em nome de um direito de todos!
(Homens tornavam-se revolucionários por acreditar)
Viva a Liberdade…
Ignorancia de um povo que desconhecia o que o rodeava…
(Porém havia ainda aqueles que anciavam a doce vingança…)
Viva a Liberdade…
25 de Abril de 1974 – Revolução dos Cravos
Viva a Liberdade…
Por medo,
Por vergonha,
Por não querer pegar no lápis…
Por uma razão:
A borracha iria apagar o teu nome,
A caneta iria borrar a obra de arte,
O sonho nunca seria como eu sonhei…
Descrição…
Tentar descrever uma situação que ninguém viveu,
Num sítio que ninguém conhece,
Com alguém que ninguém precisa de saber o nome…
Um nome não define uma pessoa,
Uma palavra não explica tudo,
E eu não consigo escrever tudo…
Tudo,
Tudo o que um dia lembrarei,
Tudo o que um dia esquecerei,
Tudo o que estas palavras tornaram inesquecivel…
Afinal… O medo e a vergonha são facilmente ultrapassados…
E a escrita ultrapassa-me todos os dias…
Frio.
É isso que sinto
Frio.
É isso que me faz esquecer
Quem sou eu?
Deitada no chão
Frio.
Quero levantar-me
Não consigo.
Algo que não me deixa
Algo que me pesa
O peso que tenho sobre os ombros.
Fico aqui
Imóvel
No frio.
Ouço palavras
Palavras sem significado
Definições
Amor
O amor aquece…
Sinto frio
Tenho tanto frio.
Dá-me amor
Para me aquecer…
Deixa o resto
Esquece o resto
Nada devia ter importância…
Põe de lado o egoísmo…
Escolhe-me a mim!

Faz-te forte em cada dia que passa e não deixes que outros te usem como um objecto. Tu não és um objecto! Tu sentes, pensas e falas… Ou se não falas devias falar. Falar, mostrar, argumentar… Porque tu tens razão quando pensas que o Mundo não deveria ser assim… Porque tu tens razão quando dizes que não há ninguém que seja perfeito. Tu tens a razão mesmo à tua frente! Tu tens o medo por trás de ti…
A fraqueza não é algo que te caracterize… Tu és forte! Mesmo quando choras. Pensas ser uma desilusão… Eu sei que sim. Pensas que desiludes toda a gente que te conhece… E por isso choras… E pensas desistir, e pensas fugir, e pensas mil e uma coisas que ninguém te disse para pensares… Porque tu consegues decidir! Tens esse poder na tua mão… Com esse poder podes ser o que nunca ninguém quis que tu fosses! Mas tu quiseste. E tu sonhaste. Sonhaste pegar num bloco e numa caneta e escrever o romance que tão bem conheces… Sonhaste pegar num lápis e numa folha branca e criar aquela paisagem que nunca te deram a autorização para observar…Sonhaste e continuas a sonhar.



