Ao Dono do Meu Coração
As saudades já começam a aparecer… Apesar do meu andar atarefado e da minha falta de tempo para pensar em ti, aparece sempre algo que desperte em mim a falta que me fazes. Sonhar contigo à noite tornou-se um refúgio. És o meu porto seguro. Quantas vezes pego no telemóvel na esperança de ter novidades tuas ou para te ligar mas sei que não tenho direito de o fazer…
Por vezes lembro a “nossa” música. Não é bem nossa, nenhum de nós se apropriou dela… Mas lembrar o momento em que ma cantaste faz-me esquecer por um minuto os quilómetros de distância que nos separam. Num segundo estou novamente encostada a ti e a ouvir-te cantar… São estes pequenos momentos que me fazem sentir viva.
Tenho saudades das nossas conversas. Conheces-me tão bem que nem preciso falar… Este sentimento recíproco dá cor à amizade e torna-a mais que perfeita. Contigo qualquer defeito é qualidade e sem ti o tempo perde significado.
Antes de deitar costumo pensar no que o tempo nos fez e no que nos fará… Costumo imaginar o reencontro, mas o medo toma conta de mim. Esperas por mim? Sei que se calhar estou a pedir algo mais do que mereço… No entanto continuo a sonhar e tu fazes parte desse meu mundo de ilusão, independentemente da tua função nele. A tua presença é o suficiente para que a minha vida tenha algum sentido.
Sei que este tempo é um teste a mim, a ti e a nós. Sei que provavelmente nenhum de nós passará… Mas as coisas estão resolvidas entre nós. “Sem sentimentos de perda” dizes tu. Haja o que houver, eu já te perdi. Porque qualquer que seja o caminho que percorramos, as pegadas ficam marcadas e não as podemos apagar… Elas fazem de nós quem somos agora… Uma sequência de decisões certas ou erradas…
Mas não te quero tirar mais tempo… Assim me despeço…
Até um dia
Só porque o “porque sim” não é algo que se diga. A minha mãe sempre me disse que isso não era uma resposta. Não é, na verdade, uma justificação mas sim algo que apenas te faz fugir de uma pergunta, fugir de uma resposta, fugir daquilo que não te dás ao trabalho de pensar. Tomar algo como garantido é perder os pequenos prazeres de uma pequena frase, de um sorriso ou de um olhar. É ser algo que sobrevive à vida vivida por outros e faz dela uma história sem interesse para quem ouve e para quem conta. É simplesmente algo que se perde no meio de uma lembrança.
Mas, sem saberes, sabes que não podes viver sem os pormenores que ele traz à tua vida, podes não ver que o sorriso te faz feliz mas sente-lo quando não o vês. Uma necessidade quase física que te faz o coração correr a maratona e saltar obstáculos. A coragem de dar o primeiro passo, a vergonha de dizer “Gosto de ti”, o medo de ouvir um “não” só porque sim. Essa palavra tão garantida em todo o lado. Essa palavra que te impede de tentar. Tentar encontrar o final feliz.
Eu tentei. Num dia qualquer, numa hora qualquer, eu tentei perceber o porquê de seres tu.
Tive vida
Nasci, cresci e sonhei
Caí, resisti e lutei
Mas, por um segundo, minuto ou hora
Desisti, perdi, desperdicei
Minutos que haviam passado
Que em anos se tinham tornado
Tudo por nada
Nada por tudo
Porque quando um nada vira tudo
Tudo pode-se resumir a nada
E nada pode ganhar razão
A razão de viver…
Mas eu desisti.
Por ti.
Quem sabe?
Pelas palavras que dizes dizer
Pelos actos que ousas fazer
Pela maneira que me fazes sentir
Morta.
E por me sentir morta
Pedi-te um dia que morresses
Para estares mais perto de mim…
Ousei pedir
Ousei dançar
Ousei querer saber
Porquê?
Porquê esta maneira cruel de falar?
Estas palavras com forma de espadas,
Que atira em direcção ao meu coração.
Cavaleiro meu…
Fá-lo deixar cair gotas de sangue…
Lágrimas de sangue…
Porque no meio das lágrimas
No meio das palavras cruéis
Num segundo apenas…
Despedi-me.
Desisti.
Desisti de ti.
Desisti de mim.
E depois de desistir…
Levantei-me e continuei a lutar.

O sonho é o principal motor de qualquer aventura…
Bora lá?
E chegou ao fim… Por uma mentira, por uma verdade… Nem eu sei! Talvez, ninguém saiba… Foi no momento em que a palavra “BASTA” deixou de ser um sussurro e passou a ser uma necessidade. Eu já a ouvia muito antes de ver as coisas como hoje vejo, eu já a sentia lá, no seu cantinho, a tentar chamar-me à razão… Sempre a calei, sempre a abafei com imagens tuas que eu pensei serem reais. Eram tão reais na minha imaginação… Faziam cor-de-rosa todos os meus pensamentos… Faziam…
Foi o fim. Um fim feliz, triste, cheio de amor, de ódio, de amizade… Isso só o tempo o dirá… Mas, neste momento, vejo o céu cinzento, vejo as árvores de um verde morto e o Sol já não me ilumina os passos… Não vejo amizade, não vejo amor… Não vejo nada que outrora tivemos… Penso eu que tivemos… Mas, apesar de todo este ambiente hostíl e triste, estou feliz. Estou feliz porque consigo ver as coisa como elas são e não como eu cria que elas fossem… Consigo ver-te como és e não como tracei a tua personalidade e a tua maneira de ser… Se calhar, nem tu já conheces o meu interior como conhecias…
Por fim… Por fim estás livre para ser quem és… Vai. Não há mais nada que te prenda aqui. Já não há ninguém que possas magoar… Vai. Terás sempre todo o meu apoio. E eu sei que terei o teu.
Deixa o sonho dos sapatinhos de cristal e sente com os teus próprios pés os árduos caminhos da realidade…
Ditadura Salazarista.
Viva a Liberdade…
Ninguém podia ousar querer fazer algo para mudar o governo…
(Mas havia quem, no meio da ferrada noite, sussurrasse entre dentes:)
Viva a Liberdade…
(Um sussurro que se perdia por entre berros distantes…)
A PIDE prendera mais um, mais um seria torturado.
Viva a Liberdade…
Reunidos em segredo, em nome de um direito de todos!
(Homens tornavam-se revolucionários por acreditar)
Viva a Liberdade…
Ignorancia de um povo que desconhecia o que o rodeava…
(Porém havia ainda aqueles que anciavam a doce vingança…)
Viva a Liberdade…
25 de Abril de 1974 – Revolução dos Cravos
Viva a Liberdade…
Por medo,
Por vergonha,
Por não querer pegar no lápis…
Por uma razão:
A borracha iria apagar o teu nome,
A caneta iria borrar a obra de arte,
O sonho nunca seria como eu sonhei…
Descrição…
Tentar descrever uma situação que ninguém viveu,
Num sítio que ninguém conhece,
Com alguém que ninguém precisa de saber o nome…
Um nome não define uma pessoa,
Uma palavra não explica tudo,
E eu não consigo escrever tudo…
Tudo,
Tudo o que um dia lembrarei,
Tudo o que um dia esquecerei,
Tudo o que estas palavras tornaram inesquecivel…
Afinal… O medo e a vergonha são facilmente ultrapassados…
E a escrita ultrapassa-me todos os dias…



