Adolescência no Seu Pior











{Novembro 18, 2011}   A História dos Três Fins

Era uma vez, há muito muito tempo, uma rapariga que conheceu um rapaz… Se ela fosse uma bonita princesa e morasse num grande castelo talvez esta história fosse contada aos mais novos de geração em geração… Mas não é! O rapaz, por seu lado também não é nenhum principe encantado que procura a sua amada num cavalo branco… São apenas um rapaz e uma rapariga como tantos outros… Mas nesta história ambos se tornam reis. O seu reino não era visível para os outros, cada um era rei do mundo do outro… E foram felizes os dois de mãos dadas durante algum tempo. Mas como sempre, a vida dá a volta a tudo… Agora separados, por mais que estendam a mão ninguém está lá para a agarrar… Tudo isto foi uma decisão… Malditos reis que às vezes não entendem o que o povo precisa… Ou foi, talvez, uma maldição… A verdade é que uma simples história ganhou três fins. Três possibilidades de se ser feliz… Até agora, três incógnitas… A escolha já não está nas mãos de ninguém… Está perdida numa aragem fria da manhã que leva os dias consigo… Dia a dia… Passando cada dia… Como se fosse o arrancar das folhas de um calendário na esperança que o dia em que o príncipe encantado venha para junto da sua amada… Ou o contrário, pois não queremos ferir susceptibilidades… É sempre possível imaginar o contrário… Mas neste caso é só um rapaz e uma rapariga… É só uma história… E só um conjuntos de fins sonhados de tantas maneiras… Porque todas as opções devem ser analisadas ao pormenor… Não vá um detetive entrar na história e encontrar o culpado… Aqui não há culpa nem culpado… Aqui há futuro… Ou talvez não… O que interessa é que há um rapaz e uma rapariga, um futuro incerto, um de três fins e, a cima de tudo, um sonho.



{Outubro 30, 2011}   Surpresa

Saí de casa sem saber ao certo o que ia acontecer. Sabia tão bem que queria ir mas não sabia o que esperar de ti… É o mal das surpresas, nunca se sabe o que nos espera… Qual a reacção que vais ter… Se eu pudesse adivinhar, talvez fosse mais confiante ou talvez nem fosse… Mas fui. Percorri estas ruas tão conhecidas e movimentadas. Fui. A cada segundo estava mais perto de ti… A cada segundo que passava estava cada vez mais perto de ti… De te abraçar, de te beijar, de te ver a cima de tudo. Mas já me estou a adiantar… Quem sabe o que mudou neste tempo que passou? Nem tu nem eu podemos partir do princípio que tudo está igual… Podemos apenas esperar que as coisas não estejam assim tão más…
Fui. Sem saber bem onde era, na loucura da aventura… Desci as escadas em direcção ao sítio onde eu sabia que tu estavas… O meu coração acelerava à medida que eu ia avançando no escuro… Estava nervosa, admito que sim… Mas continuei… E tive a certeza que era isto que queria quando ouvi a tua voz… Estávamos tão perto e no entanto tu não fazias ideia… Ganhei coragem, venci o medo, suspirei e entrei… E ali estava eu… A olhar para ti como se de um sonho se tratasse… Naquele momento percebi que todos os acasos fizeram sentido por uma razão, tudo tinha sido perfeito… E, naquele momento, eu soube que tinha sido uma boa ideia…



{Setembro 20, 2011}   Tempo

O tique-taque do relógio persegue o meu silêncio. Procuro um momento sem ele, um momento em que possa não contar o tempo. Porque se eu contar os segundo, minutos, horas e dias… Se eu contar as semanas, os meses e até mesmo os anos, o que serei eu? Não passarei de alguém que simplesmente viu a vida passar. Não quero. Não quero ver, quero viver. Quero estar lá e sentir como são as coisa. Quero tentar, errar e aprender… E se não aprender à primeira, aprendo à segunda. Quero arriscar e dizer o que penso, o que sinto e o que acredito. Quero, simplesmente quero… E vou fazê-lo.



{Outubro 30, 2010}   Tempo Parado

Um segundo. Tempo tão escorregadio que se escapa por entre os dedos fechados… Qual água. Qual ar. Tenta-se sempre agarrar, tenta-se sempre aprisioná-lo e não o deixar andar. Se um segundo, por obra de alguém, parasse. Se fosse o mesmo segundo para sempre. Sem mudar, sem fugir… Um tempo infinito em que tudo pára. Ninguém se mexe, ninguém te chama. Ninguém te pede que sejas mais do que és. O telemóvel não toca e o e-mail não recebe nada… Porque neste segundo, o mundo é só meu e só eu decido o que faço. Este segundo não é mais que um grito, um suplico, uma liberdade. Liberdade para estar, sentir, viver, querer e sonhar. Tempo. Tempo livre para pensar, tempo livre onde nada acontece. Era um segundo parado. Para que no segundo a seguir, tudo voltasse ao normal, tudo voltasse à corrida que é a vida.



{Agosto 30, 2010}   Quando Tudo é Nada

Por ver que algo não era apenas algo, mas era um algo que para alguém é tudo… Pensei no meu algo que julgara tudo e deixei-o perto do nada que já fora algo e que já fora tudo. E por ver que, neste caso, o algo não era tudo, que o algo era na verdade nada em vez do tudo que durante meses foi, pensei deixar esse tudo, que agora era nada, numa caixa ao lado de tantos nadas que já foram tudo. E por querer nunca esquecer o que já esquecera e lembrar o que nunca me lembro, guardei a minha caixa com nada perto da caixa com tudo na esperança que um dia o nada vire tudo e tudo ganhe lugar na minha vida. Tudo o que é, para mim, nada pode ser nada para o outro e tudo para ti. Porque tudo o que, neste caso, era para mim tudo, e que agora não passa de algo e que um dia será nada, será sempre para ti algo que não é nada mas também não é tudo. E por ver que tudo deveria ser nada e que como nada era mais feliz assim, tive a coragem de dizer que tudo não é nada e de fazer com que nada seja tudo. Porque tu para mim és nada, e eu sou tudo.



{Julho 29, 2010}   Está Feito.

Um dia vou parar para ver o mar…
E nesse dia vou pensar em tudo o que disse que faria e não fiz.
E nesse dia vou pensar em tudo o que disse que não faria, que fiz e que valeu a pena.



{Maio 12, 2010}   Cavaleiro Meu

Tive vida
Nasci, cresci e sonhei
Ca
í, resisti e lutei
Mas, por um segundo, minuto ou hora
Desisti, perdi, desperdicei
Minutos que haviam passado
Que em anos se tinham tornado
Tudo por nada
Nada por tudo
Porque quando um nada vira tudo
Tudo pode-se resumir a nada
E nada pode ganhar razão
A razão de viver…
Mas eu desisti.
Por ti.
Quem sabe?
Pelas palavras que dizes dizer
Pelos actos que ousas fazer
Pela maneira que me fazes sentir
Morta.
E por me sentir morta
Pedi-te um dia que morresses
Para estares mais perto de mim…
Ousei pedir
Ousei dançar
Ousei querer saber
Porquê?
Porquê esta maneira cruel de falar?
Estas palavras com forma de espadas,
Que atira em direcção ao meu coração.
Cavaleiro meu…
Fá-lo deixar cair gotas de sangue…
Lágrimas de sangue…
Porque no meio das lágrimas
No meio das palavras cruéis
Num segundo apenas…
Despedi-me.
Desisti.
Desisti de ti.
Desisti de mim.

E depois de desistir…
Levantei-me e continuei a lutar.



{Abril 2, 2010}   Palavras Insignificantes

Por não teres tido hipótese de nascer, dedico-te estas insignificantes palavras… Insignificantes, muito diferentes do que tu serias…
Mesmo sendo ainda tão pequenino, o meu amor por ti já tinha enchido este mundo e o outro… Porque eu já sonhava ter-te nos meus braço e cantar para ti canções de embalar sem lógia nem sentido… E tu irias chorar ao meu colo. E eu iria a correr dar-te à tua mãe que te acalmaria com um simples carinho.
Quero que saibas que se viesses a este Mundo eu mimar-te-ia todos os dias… Ter-te no meu colo seria suficiente para o meu dia valer a pena… Não faria mais nada do que passear-te para que ficasses a conhecer as formas e as cores da Natureza … Ajudaria a tua mãe a dar-te comer e o teu pai a ensinar-te coisas… Brincaria contigo e com o teu irmão e apresentar-te-ia a toda a gente… Olharia para ti como se fosses meu irmão e como tal te trataria… Serias os meus olhos e fá-los-ias brilhar todos os dias.
Nunca pensei que as palavras tivessem tão pouco significado… Não consigo fazer com que elas expliquem aquilo que eu sinto e aquilo que penso… São, na verdade, insignificantes ao teu lado…



{Janeiro 31, 2010}   Contradição

Não és Homem, não és nada! És um cobarde! Foges da dificuldade de uma pergunta, desapareces no meio de uma frase, ergues a revolta que há em mim. Não és nada. Não significas nada. E no entanto fazes-me sentir algo, algo estranho, algo diferente. Desejo. Desejo-te longe. Longe de mim. Não ter de me lembrar de ti, não perguntar por ti, não saber quem és. Eu sei bem quem és. Não passas de um miúdo mimado. Achas-te maior que o Mundo, pensas conseguir tudo o que queres… Que queres tu? Não és Homem para responder a uma pergunta. Não és Homem para nada. Não és Homem para ninguém.
Eu, eu que afirmo existir um “Homem da minha vida”… Eu que na verdade não sei do que falo… Eu que te desejo tão longe… Sou a mesma que passo a vida a perguntar por ti, que me lembro de ti no desenrolar de uma simples conversa… Eu que me perco num sonho contigo…

Não vou procurar quem espero, se no fundo te encontrei.



{Novembro 30, 2009}   Olá

Olá.
Um olá escapado e sumido, um olá baixinho que esconde um carinho que um dia se foi escondendo atrás de um role de acontecimentos, de confusões, de chatices que em nada nos envolviam. Foram passando, cada um cavando um bocadinho do fosso que agora há entre nós. Está mesmo à nossa frente. Um fosso que apenas permite a passagem de um reles olá. Se os meus pensamentos voassem por cima deste fosso, se os pudesses sentir… Se. Conjunção condicional que condiciona uma amizade, ou o que resta dela. Condições.
Sei ter sido voz activa a cavar o fosso que cresce entre nós. Já nem lhe vejo o fim. Mas sempre me ensinaste a ultrapassar os obstáculos. Ainda é possível criar uma pequena ponte, ainda é possível atravessá-la. Encontrar-me diante de ti. Sozinhos. As saudades que tenho disso… E aí, para além de um olá, irias ver um sorriso imenso que te mostraria a falta que as nossas conversas me fazem. Uma conversa com dois intervenientes. Tu e eu. Sem pessoas a mais. Sem confusões. Sem nada para além de uma amizade que ultrapassa o fosso que a tentou esconder de nós.



et cetera
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