Saída agora do que chamam Liceu e pronta para enfrentar o Mundo adulto, entro carregada no comboio com a grande mala dos sonhos e o malote de recordações. Um lugar calmo no fundo da carruagem espera por mim como se sentisse o meu desejo de me sentar nele. A única razão que me chamou a atenção foi a janela. A pequena janela que me permite despedir-me, mais uma vez, da minha terra.
Partiu. Sem atrasos, vou agora para um sonho sonhado durante anos e anos. Vejo os postes passar rapidamente através da pequena janela. Cada um que vai ficando para trás traz consigo uma memória. Mais uma para juntar ao malote que carrego comigo.
Cidade imponente e altiva, observa-se ao longe a tua magnificiência, pareces tão pequenina… À velocidade do comboio em que viajo, vejo-te crescer lentamente, como se fosse eu que crescesse tão rapidamente. E agora que estou em ti, volto a pegar nas malas e, enfrentando o medo, invado-te. A pressa que se vê nas tuas ruas que mal conheço faz-me sentir viva e todos os sonhos que eu tinha esperam realizar-se ao virar da esquina. Portas abertas à minha espera, oportunidades que sempre sonhei, e todo aquele teu ar de adulta faz em mim despertar o rio da minha vida a correr para a foz, correr para uma vida que continua guardada na mala.
Malas que pesam mais que chumbo… Caminho nos passeios de pedra contemplando todo o teu esplendor. E tu que nem paras para me dizer olá. Terra que não pára nem deixa parar. Pessoas que correm entre autocarros e lojas, empregos e casas, universidade e noites… O contraste que me apresentas nas tuas ruas, o empenho e a responsabilidade em contraste com o doce descanso e o puro divertimento. Desejo perder-me! Perder-me em ti por 3 anos, perder-me em ti para sempre… E em ti formar-me como sou e quero ser. Formar-me em quem quero ser. E és tu que me abres as portas, és tu a chave do meu futuro.

Aquela noite até estava bonita, tinha estrelas espalhadas pelo céu e apenas uma brisa passava entre nós. O brilho era por demais evidente… Pelo menos eu sentia-me a brilhar. Os meus pés estavam desconfortavelmente alojados nos sapatinhos de cristal que em tudo combinavam com o vestido perfeito… Nada podia correr mal, e se corresse, ao menos estavas comigo. Vestido a rigor para me acompanhares e para não me deixares sentir insegura. Não era apenas um fato e uma gravata, era o melhor fato e a melhor gravata.
Esta noite não passava por um simples estar com um amigo, era algo mais. Casino, jantar, era o meu Baile de Finalistas e tu ias comigo. Depois de tanto tempo a construir o conto de fadas, eis que me vais buscar a casa e partimos em direcção a um sonho de menina… As expectativas podem, agora, ser consideradas exageradas. Não é todos os dias que acontece uma noite de tal glamour…
Na verdade, o Baile de Finalistas não passa de um momento fútil. Mas foi com esta futilidade que sonhei durante meses e foi nesta futilidade que passei uma noite de princesa acompanhada daquele amigo que posso dizer ser o melhor… Sim, porque não é necessário ser algo mais que um amigo para ser o meu par nesta noite e me fazer sentir como me senti e como me sinto sempre que estou com os meus amigos. Porque são os amigos que me fazem brilhar todos os dias. Eles são as estrelinhas que me acompanham no céu todas as noites…E assim, esta noite foi perfeita… Porque a noite nunca chegou a acabar!

Faz-te forte em cada dia que passa e não deixes que outros te usem como um objecto. Tu não és um objecto! Tu sentes, pensas e falas… Ou se não falas devias falar. Falar, mostrar, argumentar… Porque tu tens razão quando pensas que o Mundo não deveria ser assim… Porque tu tens razão quando dizes que não há ninguém que seja perfeito. Tu tens a razão mesmo à tua frente! Tu tens o medo por trás de ti…
A fraqueza não é algo que te caracterize… Tu és forte! Mesmo quando choras. Pensas ser uma desilusão… Eu sei que sim. Pensas que desiludes toda a gente que te conhece… E por isso choras… E pensas desistir, e pensas fugir, e pensas mil e uma coisas que ninguém te disse para pensares… Porque tu consegues decidir! Tens esse poder na tua mão… Com esse poder podes ser o que nunca ninguém quis que tu fosses! Mas tu quiseste. E tu sonhaste. Sonhaste pegar num bloco e numa caneta e escrever o romance que tão bem conheces… Sonhaste pegar num lápis e numa folha branca e criar aquela paisagem que nunca te deram a autorização para observar…Sonhaste e continuas a sonhar.
O ideal. O teu ideal. A tua vida. O teu futuro. A tua escolha. A TUA escolha!

Tu és uma estúpida.
Tu foges de mim para passar os dias na borga.
Tu agarras-te a mim quando me vês só para eu pensar que gostas de mim.
Por vezes, tens a mania de pegar naquele teu vício nojento, imundo e mal cheiroso.
Não és apenas chata, tu consegues não parar de me chatear durante mais de 1 hora.
Tu finges que as nossas conversas são importantes para ti.
Tu insistes em partilhar as tuas opiniões comigo.
Por alguma razão, não te cansas das nossas noites.
Nem o frio te faz ir para casa.
Tu não tens vergonha nenhuma.
Tu és a coisa mais egoista, egocêntrica, chata e má-lingua que conheci em toda a minha vida.
Mas eu amo-te e acho que és perfeita.
Felicidade é o resultado da simplicidade do viver. Não são as coisas que nos derrubam que nos dão força para continuar a viver, mas sim a felicidade.
Ser feliz é abstracto, cada pessoa tem a sua definição mas tudo pode ser resumido a um momentinho perto dele, ao pisar de um palco, a uma infinidade de coisas a que ninguém dá importância excepto a pessoa que os vive pois é algo que a completa e a faz sentir-se bem consigo própria.
Todos procuramos a felicidade como um estado onde permaneceremos para sempre, onde nada nem ninguém nos afectará, na morte talvez (segundo a religião Católica) mas a morte não é na minha opinião, a felicidade. Só o recordar me traz alegria e só a minha família e os meus amigos me fazem feliz. Sou feliz apesar de nem sempre a vida me sorrir. Tenho família, amigos e um cão que abana o rabo sempre que me vê e me faz sentir importante na vida dele. São estes pequenos gestos como um beijo de bom dia da mãe que, sem nos apercebermos nos tornam felizes.
Não quero pôr esta felicidade de lado para dar atenção às feridas que me são causadas pela vida… Quero lembrar-me destes pequenos pormenores e lutar para continuar a usufruir deles… Poder, quem sabe abanar o rabo e mostrar a toda a gente que EU SOU FELIZ!




