É mesmo lá no cimo, vês?
Depois vens descendo por aqui…
O tempo corre sabes?
Vês tanta gente…
E na verdade, não vês ninguém…
Mas vens!
Desces a praça…
E vais mesmo pela baixa, estás a ver?
E é ali!
É ali que o padrinho e a madrinha te baptizam…
Lembro-me das palavras que me disseram…
Como se cada palavra fosse uma gota de água…
Caia…
E as palavras ficavam gravadas para sempre…
Caia…
Foi o primeiro momento em que eu me senti em família…
Caia…
Irmã mais nova de alguém!
Caia…
Porque as palavras que me disse são verdadeiras,
Caia…
Porque sei que vai sempre olhar por mim,
Caia…
E porque são os melhores anos das nossas vidas!
Caia, daquele penico azul escuro, a água do Mondego…
2 anos.
Foi ainda ontem que eu quis transpor para aqui tudo o que pensava e sentia… Sentimentos variados que ao longo de 2 anos foram invadindo o meu corpo e a minha mente. Sentimentos associados a situações de todos os tipos e de todas as cores… Neste tempo, vi o Mundo à minha maneira e caí várias vezes na crua realidade. Caí e levantei-me. Houve sempre quem me apoiasse e quem seguisse todos os meus passos…
Mas eu continuo a caminhar… Porque há muita coisa que eu ainda não vi e há muita coisa que eu anceio ver! A minha vida vai mudar… E eu vou continuar a caminhar, a observar, a pergutar tudo e a lutar pelos meus sonhos! Porque desistir não é algo que eu goste de fazer! Não desisto! Por mais que custe… Porque mais que caia… Por mais que o escuro me envolva… Há sempre uma luzinha que há-de brilhar…
Este blog faz hoje 2 anos. Há 2 anos que brilha comigo tanto na escuridão como nos dias claros!
Ditadura Salazarista.
Viva a Liberdade…
Ninguém podia ousar querer fazer algo para mudar o governo…
(Mas havia quem, no meio da ferrada noite, sussurrasse entre dentes:)
Viva a Liberdade…
(Um sussurro que se perdia por entre berros distantes…)
A PIDE prendera mais um, mais um seria torturado.
Viva a Liberdade…
Reunidos em segredo, em nome de um direito de todos!
(Homens tornavam-se revolucionários por acreditar)
Viva a Liberdade…
Ignorancia de um povo que desconhecia o que o rodeava…
(Porém havia ainda aqueles que anciavam a doce vingança…)
Viva a Liberdade…
25 de Abril de 1974 – Revolução dos Cravos
Viva a Liberdade…
Por medo,
Por vergonha,
Por não querer pegar no lápis…
Por uma razão:
A borracha iria apagar o teu nome,
A caneta iria borrar a obra de arte,
O sonho nunca seria como eu sonhei…
Descrição…
Tentar descrever uma situação que ninguém viveu,
Num sítio que ninguém conhece,
Com alguém que ninguém precisa de saber o nome…
Um nome não define uma pessoa,
Uma palavra não explica tudo,
E eu não consigo escrever tudo…
Tudo,
Tudo o que um dia lembrei,
Tudo o que um dia esquecerei,
Tudo o que estas palavras tornaram inesquecivel…
Afinal… O medo e a vergonha são facilmente ultrapassados…
E a escrita ultrapassa-me todos os dias…
Aquela noite,
que eu pensei ser apenas uma,
veio a tornar-se uma semana…
E essa semana outra…
E um mês passou…
E mais outro…
E mais outro…
E um ano.
A boneca caiu.
Já não sou mais precisa, já não me liga mais… Antes fui a escolhida para passar dias e dias com ela e agora… E agora trocou-me…
Deixou-me sozinha neste chão frio e foi-se embora. Não sei bem para onde foi, mas sei que já não vai voltar mais…
Sabem do que me lembro? Das suas pequenas mãos… Quando me agarrou pela primeira vez eu vi os seus lindos olhos a brilhar… E agora deixou-me…
Só as boas memórias me aquecerão. Quando brincava comigo dias e dias afim… Eu era o seu Mundo! E agora esqueceu-me…
Mas ela agora também está diferente… Já não é a menina pequenina que se escondia na minha casa de bonecas por pensar ser sua. Não, ela agora está crescida. Provavelmente já nem sabe o que brincar significa… Todas nós fomos trocadas, já não somos os seu Mundo por certo… E fico aqui…
Será que também eu posso crescer como ela? Eu tambem quero fazer 18 anos!

O frio quente que batia na nossa face fazia-nos desejar loucuras. O mar ia e vinha num movimento constante. As nossas pegadas ficavam marcadas no enorme areal por onde passeávamos. De mão dada. Caminhámos num passeio sem fim… Sentámo-nos na areia fria e contemplámos o mar… As núvens cobriam a lua e qualquer astro que do céu nos pudesse observar. E ali. Ali a observar o mar. Ali. Ali com o desejo a aumentar… Fui. Tirei a roupa e fui. Aquele mergulho na água gélida fez todo o meu corpo regelar… Mas soube tão bem! Era a primeira vez que ganhara a coragem necessária para mergulhar nas frias águas do mar em pleno inverno. Tu olhavas-me perplexo. Eu sabia que também tu lutavas contra a tua vontade… Porque não fazer como eu e… E deixa-te ir. Deixa os teus medos e as tuas dúvidas enterradas na areia e vem. Vem ter comigo nesta água fria deste mar sem fim. Vem. E tu vieste.
Brincámos como duas crianças. Brincámos como nunca antes haviamos feito. Brincámos. Naquela praia só nossa. Sem que ninguém nos visse. Naquele sonho. Aquele pequeno sonho que tu sabes ser feito de algodão doce… Como as núvens que tapavam a lua! E naquela escuridão em que a praia se apresentava… Naquela escuridão fria… Nós lembrámos o Verão. Lembramos os longos banhos que tomámos naquela praia e todas as outras aventuras que lá passamos… Lembrámos os nossos amigos e todas as nossas brincaderias… Lembrámos, lembrámos as recordações…
Foi o teu olhar que denunciou a tua intenção… Quando me olhaste daquela maneira eu soube o que querias… Mas aí mantiveste o segredo. Não disseste nada até ao momento de ir embora… Tu não falavas mas o teu corpo transmitia algo que ninguém, nem mesmo tu, notava. Mas eu entendi. Após tanto tempo contigo, pensavas que não entendia? A cumplicidade, às vezes, fala por si.
A certeza. A certeza veio pelo caminho… Ainda por cima eras tu o único que tinha carro. Eras tu que mandavas e estávamos todos dependente da tua vontade. Aquele trajecto tão cuidadosamente organizado deixava-te a possibilidade de voltar atrás. Vinhas buscar-me uma vez mais depois de toda a gente estar já em casa. Vinhas em segredo e partilhava-lo comigo. Mas nada correu como planeaste. A ausência de uma resposta quando me perguntaste “Que achas da ideia?”… Ficaste com dúvidas… Eu já as tinha. Mas fui…
Vieste buscar-me para irmos até à praia. Passeamos perto do mar, sentámo-nos, falámos, brincámos e os teus beijos fizeram-me esquecer o frio… Fizeram-me esquecer tudo. Todo aquele tempo em que andámos a passear de mãos dadas, abraçados… Todo aquele tempo que estivemos abraçados, agarrados…
A magia deste momento voava à nossa volta e reluzia no mar… Sim, foi mais que perfeito! Eu era a tua princesa novamente e tu aquele principe encantado que vive para ver o meu sorriso… És tu o responsável pela pureza dele.
Rodavas-me nos teus braços só para me teres perto de ti, beijavas-me como se tivesses medo que este momento acabasse sem te despedires… Mas mesmo assim não te despedias, era como se me dissesses “olá” com os teus olhos…
E o momento ficou. Ficou gravado numa memória, ou melhor na nossa memória. Aquele álbum que de vez em quando abrimos para lembrar os nossos momentos únicos contém mais sentimentos que qualquer uma destas palavras. Nenhuma destas palavras pode carregar o peso de um sentimento. Nenhuma destas palavras tem responsabilidade suficiente para te dizer “amo-te”.




