Deito-me. A intenção de descansar de um dia que passou, de um conjunto de acontecimentos que aconteceram e que já não se podem mudar. Deito-me e fecho os olhos. E no calor dos cobertores e lençóis a vida tem um rumo diferente. De olhos fechados vejo-te a ti. Imagino-te como gostava que as coisas fossem. E lá estás tu e eu e um conjunto de histórias perdidas que podiam ser reais mas não são… Histórias que nunca deixaram de ser sonhadas e que nunca acontecerão… Talvez por serem demasiado perfeitas. São apenas sonhos antes de ir dormir. Momentos que podem ser controlados, desde o que eu digo ao que eu quero que tu digas… Tudo aí é como eu quero.
Ora imagina lá se não seria perfeito: andar de mãos dadas num sítio deserto sem que ninguém se metesse entre nós, nem nós próprios… Estarmos sentados ao pôr do sol a falarmos de assuntos banais mas que para nós têm tanta importância… Tantas imagens que me passam à frente dos olhos fechados… Tantas histórias que podiam ser contadas mas que nunca seriam reais… Estás em todas elas e és a personagem principal…
Mas mesmo assim, de olhos fechados, eu conheço a realidade.
Talvez use estas histórias para me esconder…
Creio que em parte sim: dão-me esperança.
E uma lágrima cai…
E com ela adormeço.
{Dezembro 30, 2011}
Dormir Sobre o Assunto



