Adolescência no Seu Pior











{Maio 23, 2008}   História do C. C’Arte

Passos tímidos, passos envergonhados de alguém que sonha ser lembrado. Sala vazia, cheia de escuridão. Um medo vencido, o centro de toda a atenção. No meio de focos apagados, inundados de silêncio protector… São as grandes portas que mantêm o calor. Calor esse de aplausos, de sorrisos, de lágrimas derramadas, de amizades construídas. Calor que mantém o sorriso. Sorriso que lembra a luz. Luz que ilumina o cheiro. Cheiro de algo que não se explica, que não se fala, que só se sente… Algo que é único, que transporta consigo uma história… Sim, uma história, a história deles…
Não era uma vez um grupo de teatro profissional. Não era uma vez um grupo de vedetas. Era sim o C. C’Arte. Era sim um grupo de amigos. Amigos. Amigos serão sempre… Apesar das diferenças, apesar das igualdades, apesar das desavenças, apesar de um futuro separados. Mas se há uma pequena página de diário que em branco ficou, há também uma outra a quem tudo alguém contou… Numa data esquecida, lá para o meio de Maio, estrelas pediram o brilho enquanto o Sol se afastou. Tempo enublado, chuva talvez… Quem se lembra destes pormenores? Shiu… Alguém vai contar o que viu… O que sentiu… Nervos, medo, certezas, amor. É o amor que corre nas veias de quem se recusa a ficar pelo sonho. Um. Depois outro. Sempre mais um. Logo a seguir outro. A luz directa nos olhos… Perguntas. Respostas. O típico casting. Frio. Directo O início do que não terá fim…
O, agora, grupo de adolescentes, trabalhando com prazer, levou a sua vida ao palco, a sua maneira de ser. Nada deles permanecia ali, apenas o corpo se movia. Personagens que os invadiam, aquelas que eles vestiam. Uma história com problemas, um grupo de amigos… Entre “Amigos para Sempre”, todos foram ouvidos. No fim das lágrimas e dos sorrisos, dos parabéns merecidos, no livro de recordações algo lá deixaram. Algo para não esquecer. A estreia deste grupo foi linda de se ver… “Adolescente?!… Eu?!…”, nada mais a dizer…
Com o centenário da casa, altura importante podem crer, o C. C’Arte com apenas um ano, viu-se rapidamente a crescer. Já não era apenas teatro. Já não era apenas representar. Agora naquele grupo também se podia dançar. Novas amizades criadas. Todas elas empenhadas no mesmo. A vontade de ir a cena, vontade de ser capa de revista. E porque revista não é fácil de representar… Vários meses passaram até um novo estrear. Para relembrar o passado, comemorando os 100 anos, revistas antigas foram lembradas e todas elas representadas pelas mãos do futuro. Por Portugal viajou, quase à velocidade da luz, até à infância voltou e na escolinha parou. No meio de florzinhas e de problemas desportivos, no meio de uma dança e de uma fofoca… Até a net deu que falar numa festa de aldrabar. Alguns a pedir bilhetes, touradas e barretes andaram na mão dos jovens, esses mesmos que lutam por um sonho. “Verão a Revista” brilhou… E brilhou vezes a fio… Fez também brilhar outros, aos anos que já não se ouviam. Sempre com a crítica afiada e a gargalhada guardada, pronta para soltar, ao tradicional ritmo de Buarcos, sempre ligada ao mar.
Sem parar de subir a escada… Degrau após degrau. Num caminho de trabalho até um novo estrear. Aqui estão eles mais uma vez, prontos para vos agradar. Uma nova peça trazem. Um conto de encantar. Por detrás do frio, por detrás da solidão existe sempre uma lembrança que nos aquece o coração. Um fósforo. Um sonho. Uma menina perdida no meio das cores e da ilusão. O seu grito perdido, no meio da Terra que parou. Era noite. Era frio. Mas ela não parava de gritar. “Quem Quer Fósforos”. Ainda se ouve no ar.
Numa outra vertente, um espectáculo, evidentemente, com a colaboração de outros grupos de dança, o convívio tem sempre importância. Enquanto uns procuravam bilhetes, outros dançavam com prazer, fazendo alguns relembrar o que antes era viver. Aquelas músicas antigas que na memória ficavam, se calhar, já pouco se lembravam. Algumas delas foram coreografadas, muito bem cuidadas para que uma época passada não fique na gaveta guardada. Por outro lado a não esquecer, a actualidade musical também foi focada, desde um ritmo mais calmo a uma batida mais marcada. Sempre com o sorriso nos lábios, uma satisfação a dançar, contrastando com o tradicional, “Varidanças” e “Toca a Dançar”.
Nada mais permitia esperar, todos eles ansiavam pelo seu novo estrear. Com a coragem necessária e uma vontade arbitrária, algo de mais arrojado eles resolveram testar… Algo de mais sério eles resolveram representar. Uma gota. Uma “Gota de Mel”. E sem que ninguém imaginasse a civilização teve o seu final. A guerra e o sangue, dançam os dois a par, e a verdade do início já poucos sabem contar… E no fim de tudo. Onde já nada faz sentido. Quando os dois últimos seres lutam, quando ambos se questionam… A pergunta fica por responder. E tudo foi acontecer, por uma bela noite de
calor…
Em pouco mais de dois anos. Dois anos que já passaram. Tantos rostos já chegaram como outros voaram… E histórias que se passaram. Histórias que só eles conhecem. Um dia serão lembradas, talvez a filhos e netos. Mas se há coisa que eles não esquecem é que “A sua história, por mais pequena que ainda seja, já faz parte da história do Grupo Caras Direitas”.


(nota: editado a 4/Março/2009)


A diabólica dela :D diz:

Não sei porque é que ainda ninguém comentou se é um dos melhores textos que fizes-te!é daqueles que me faz lembrar porque é que todos adoramos lá andar



Liz*e diz:

Pronto, eu não faço parte da história do Grupo Caras mas sei o quanto aquela família representa para ti, e concordo ali com a diabólica :P É um dos teus melhores textos (se é que é possível eleger um texto melhor).

Beijocas boazudaaaa :D



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