Adolescência no Seu Pior











{Janeiro 29, 2008}   Gostava de Ser Ninguém

Ninguém é uma máquina. Bem, eu queria ser. Queria poder não cometer erros e desligar sempre que houvesse um curto circuito que comprometesse o meu comportamento. Não havia sentimentos a jorrar pelas dobradiças… Haveria apenas alguém que me controlava para que nada corresse mal…
Ninguém é dono do conhecimento. Eu só sei que nada sei… Mas que tudo quero saber. Queria perceber todo o mundo e todas as pessoas que o iluminam. Não havia quem se chateasse porque todos se entendiam, quem se magoasse porque todos se percebiam, quem se sentisse só porque todos se conheciam…
Ninguém quer morrer. Qual é o medo? É na morte que sentem a nossa falta. Será que sentem mesmo? Mas também já cá não estarei para ver se sentem ou não… Mas para sentirem tem de ser algo importante… Não creio que…
Sinceramente até gostava de ser ninguém… Ninguém é perfeito!



{Janeiro 20, 2008}   Era Uma Vez…

Uma pequena Formiga…
Um Unicórnio voador…
Um Tritão zangado…
Um Sonho por realizar…
Era uma vez um Sonho.
Um Sonho que voava
Que percorria os teus braços
Explorava os teus lábios
E investigava os teus olhos.
Nada via.
Nada sentia.
Nada!
Era uma vez um Sonho.
Nesse sonho estavas tu
Estava eu
Era um Sonho real
Era um Sonho proibido.
Sabes?
Era um Sonho…
E é isso que o torna tão…
Mas também,
O que interessa isso?
Era um Sonho!
Era uma vez um Sonho…



{Janeiro 18, 2008}   Querido Diário

Hoje mudei o Mundo. Sim é verdade! Ele já não é mais o planeta azul como lhe chamava a minha professora. Agora é o planeta arco-íris! Tem tantas cores… Eu queria tirar uma fotografia mas todas as que eu tirei ficaram pretas… Não sei porquê, mas todas as fotos ficam assim. Parece que não se consegue fotografar a verdadeira felicidade. Mas quero-te contar como é que Eu – sim, porque fui Eu – mudei o Mundo. Sabes, até foi divertido, e não foi difícil… Até acho que qualquer pessoa o podia ter feito. Mas vá, vou-te contar:
Hoje quando acordei o Mundo estava normal, estava Sol, um bocadinho de vento e a minha mãe até já estava a preparar-se para me levar à escola. Tudo correu normalmente até chegar à escola, foi aí que se viu o azul sozinho pela última vez. Bem, corri para abraçar a minha amiga que estava a brincar e comecei a brincar também. Joguei à apanhada, saltei à corda e tantas outras coisas que tanto gosto… Foi nesse momento. Um arco-íris apareceu e todo o céu ficou às cores. Todos observavam este acontecimento que ninguém sabia explicar. Eu também não sei. Só sei que enquanto brincava esqueci os meus 16 anos e vi-me novamente na primária. A minha amiga até me disse que o meu sorriso reflectia todas as cores do céu…
Mas não digas a ninguém… É o nosso segredo.



{Janeiro 17, 2008}   Passo Após Passo

Passo após passo no meio desta triste chuva que teima em cair e tornar a minha vida mais fria e solitária. Escorrem pela minha face as frias gotas como lágrimas que quero esconder. Esconder de quem? Sou invisível aos olhos dos outros. Invisível de todos aqueles que tantas vezes me sorriram quando eu também sorria.
Passo após passo sem parar este caminhas triste de um alguém que… Apenas um alguém que sonha um dia ver a luz que a tantos ilumina. Ver o Sol, estrela maior, que aquece todo o mais pequeno arrepio que se sente dentro do ser. Parece que a minha alma gelou.
Passo após passo sem gritar “Eu estou aqui!”. Sem mostrar aos outros o que fiz, o que faço, o que farei. Sem esperar que olhem para mim. Sem esperar que me vejam como se eu fosse o que desejo ser. A perfeição?
Passo após passo… Mas é isso que querem que eu continue a fazer? A caminhar sem sentido para me perder do que já foi encontrado?
Não! Eu vou-me sentar…



{Janeiro 9, 2008}   Jogar de Faz de Conta

Voltei a entrar por aquela grande porta de madeira dura. Subi. Subi mais um pouco àquele mundo que é como eu realmente quero… Só não quero subir mais sozinha. Dá-me a tua mão e sobe estas escadas comigo. Vamos jogar de faz de conta… Teatro. História de Encantar?
Conhecer-te como mero acaso e apaixonarmo-nos logo, seguirmos um caminho tão… Inexplicável. Será amor? Porque esse também é inexplicável e imprevisível. Reviravolta inesperada à maneira de um lindo filme romântico com a chuva a acompanhar… É a altura de me procurares… De vires atrás de mim e mostrares o quanto significo para ti. Só precisas de subir a torre. Rapunzel de cabelos escuros. Cavalo castanho e espada na mão… Ninguém te pára e ninguém te assusta. E nos teus braços vou até ao mais puro amor. Mas mais uma vez algo que aos nossos olhos é insignificante nos pára. O sapatinho de cristal cai no meio da floresta medonha e tu… Tu vais destemido procura-lo só para mim. Voltas com ele como uma criança com um brinquedo precioso. Calças-mo como se eu fosse a tua Cinderela de calças de ganga e seguimos finalmente a viagem até… Até ao final feliz… Até um dia poder experimentar algo que nunca antes experimentei. Dizer Amo-te! Beijo final de uma vida perfeita… De uma vida de faz de conta.
E quando finalmente ficamos às escuras no meio daquele palco sonho com algo único e, apesar de tudo, inesquecível… Mas a terra dos sonhos acabou e tu não és quem eu pensava que fosses. Vou guardar a Palavra para um outro alguém que anda por aí a passear e que um dia, por acaso, irá chocar comigo e fazer do filme realidade e da realidade um sonho…



{Janeiro 1, 2008}   Caixinha de Cristal Vermelho

Não percebo…
Este arame farpado que prende a minha caixinha de cristal vermelho está cada vez mais apertado… Cada vez mais preso fica o seu bater débil. Temo pela sua saúde. Temo que páre de bater. Se ele se partir em inúmeros cacos ninguém os irá colar por mim. Terei de o fazer sózinha e ter força para continuar com o levantar da cama diário.
Não aguento!
Esta dor que permanece em mim já fez tantas lágrimas correr pela minha face. Será que ainda não está satisfeita com tanto sofrimento? Não deve saber que até o maior rio acaba por secar.
Partiu.
Olha bem para este chão tão repleto destes infinitos pedacinhos. Agarrá-los um a um até que nada fique por aqui perdido. Nada fique esquecido. Esquecer. Que linda vontade eu tenho de te esquecer… De gritar que morreste e que para mim não passas de uma recordação. Não! Nem isso mereces! Nem o mais mísero dos segundos que desperdicei contigo, nem nenhuma daquelas lágrimas que chorei tantas vezes. Não mereces nada!
Colá-lo?
Para quê? Vai aparecer outro alguém que o vai voltar a partir… Um fã teu talvez. Esta caixinha não aguenta tudo. Não aguenta nada… Ou pelo menos mais nada. Mas mesmo assim para quê desistir? Desistir não é fácil…
Vou colá-lo!
Está colado.
Não o partas…



et cetera