Lembranças. São por vezes traiçoeiras estas memórias que guardamos. Por vezes apagam-se sem que nós nos apercebamos e, depois, com apenas uma leitura de algo antigo acabamos por relembrar o que já é passado há tanto tempo.
Memórias. É tão engraçado que as memórias de momentos de choro nos podem trazer um sorriso… Momentos que já passaram há tempo suficiente para que apenas a felicidade de os recordar faça esquecer o sentimento de tristeza que um dia sentimos…
Relembrar. Mas o mais engraçado de tudo é quando nos deparamos com algo tão antigo que nem sabemos o que é… Quando nos deparamos com a descrição de sentimentos que ficaram agarrados a uma folha de papel há alguns anos atrás e nem nos lembramos sobre o que era aquilo…
Momentos. Datas. Dias. Pequenos rabiscos que colocamos no canto da folha para nos lembrarmos de quando escrevemos algo. É engraçado como conseguimos escrever coisas no passado que se aplicam tão bem ao presente. É tão engraçado como há uns anos atrás consegui escrever o que hoje sinto. Não tenho propriamente uma explicação, simplesmente por que sim… Talvez tenha adivinhado…
Anos… Como eles passam… E como trazem de volta as coisas, as pessoas, os sentimentos que realmente importam…
Deito-me. A intenção de descansar de um dia que passou, de um conjunto de acontecimentos que aconteceram e que já não se podem mudar. Deito-me e fecho os olhos. E no calor dos cobertores e lençóis a vida tem um rumo diferente. De olhos fechados vejo-te a ti. Imagino-te como gostava que as coisas fossem. E lá estás tu e eu e um conjunto de histórias perdidas que podiam ser reais mas não são… Histórias que nunca deixaram de ser sonhadas e que nunca acontecerão… Talvez por serem demasiado perfeitas. São apenas sonhos antes de ir dormir. Momentos que podem ser controlados, desde o que eu digo ao que eu quero que tu digas… Tudo aí é como eu quero.
Ora imagina lá se não seria perfeito: andar de mãos dadas num sítio deserto sem que ninguém se metesse entre nós, nem nós próprios… Estarmos sentados ao pôr do sol a falarmos de assuntos banais mas que para nós têm tanta importância… Tantas imagens que me passam à frente dos olhos fechados… Tantas histórias que podiam ser contadas mas que nunca seriam reais… Estás em todas elas e és a personagem principal…
Mas mesmo assim, de olhos fechados, eu conheço a realidade.
Talvez use estas histórias para me esconder…
Creio que em parte sim: dão-me esperança.
E uma lágrima cai…
E com ela adormeço.
Casa. Lar. Lugar que conhecemos e que é parte de nós. Voltar. Sentimento perfeito que completa a alma… Que traz de volta aquele pedacinho que cá ficou quando virámos as costas à vida que conhecíamos em troca de aventuras e novas experiências. Chamam-lhe saudade… A definição pode ser complexa mas é fácil identificá-la… É aquele sentimento que aperta o coração, é aquele nó na barriga quando nos lembramos de alguém, é aquela felicidade quando sabemos que vamos voltar. Enfim, saudade. Mas o que interessa é que voltei. Por muito ou pouco tempo, depende da perspectiva das pessoas… Mas voltei, e é só isso que interessa. Vim para ver pessoas que fazem parte de mim e para viver momentos com elas que nunca me hei-de esquecer. Vim, porque queria vir e porque tinha de vir. Vim… E aqui estou eu.
Eu sei que tenho sempre uma ideia extremamente fatalista em relação a um possível “nós”. Sei bem que qualquer coisa me faz pensar que não quero mais… Toda a gente tem uma história e essa história acaba por influenciar as nossas decisões… Mas eu até pus de parte essa minha mania e esforcei-me… Queria na verdade ser perfeita! Fiz o que achei melhor, ultrapassei preconceitos meus e dei uma oportunidade à felicidade… E lutei… Lutei pelo que achava que me fazia feliz… Lutei, ultrapassei medos e desconfianças… Confiei! Dei-me… Não num sentido material mas como se do meu coração se tratasse… E, apesar de tudo, mantive a esperança…
Mas (palavra que traz um prenúncio de tragédia) olhei para o percurso que tínhamos percorrido… E vi-me: cansada e frustrada, farta de tentar… E esperei ver-te… Na verdade, não te vi em lado nenhum porque não te manifestas de maneira nenhuma. Não senti nada do que dizes sentir. As palavras, essas eu sei de cor. Quando é que aprendes que não é por dizeres que as coisas são reais? Que as palavras não aquecem e não fazem o mundo girar… As palavras não carregam sentimentos. São aqueles momentos em que não é preciso dizer nada que marcam… E esses, neste momento, são meras recordações longínquas…
Era uma vez, há muito muito tempo, uma rapariga que conheceu um rapaz… Se ela fosse uma bonita princesa e morasse num grande castelo talvez esta história fosse contada aos mais novos de geração em geração… Mas não é! O rapaz, por seu lado também não é nenhum principe encantado que procura a sua amada num cavalo branco… São apenas um rapaz e uma rapariga como tantos outros… Mas nesta história ambos se tornam reis. O seu reino não era visível para os outros, cada um era rei do mundo do outro… E foram felizes os dois de mãos dadas durante algum tempo. Mas como sempre, a vida dá a volta a tudo… Agora separados, por mais que estendam a mão ninguém está lá para a agarrar… Tudo isto foi uma decisão… Malditos reis que às vezes não entendem o que o povo precisa… Ou foi, talvez, uma maldição… A verdade é que uma simples história ganhou três fins. Três possibilidades de se ser feliz… Até agora, três incógnitas… A escolha já não está nas mãos de ninguém… Está perdida numa aragem fria da manhã que leva os dias consigo… Dia a dia… Passando cada dia… Como se fosse o arrancar das folhas de um calendário na esperança que o dia em que o príncipe encantado venha para junto da sua amada… Ou o contrário, pois não queremos ferir susceptibilidades… É sempre possível imaginar o contrário… Mas neste caso é só um rapaz e uma rapariga… É só uma história… E só um conjuntos de fins sonhados de tantas maneiras… Porque todas as opções devem ser analisadas ao pormenor… Não vá um detetive entrar na história e encontrar o culpado… Aqui não há culpa nem culpado… Aqui há futuro… Ou talvez não… O que interessa é que há um rapaz e uma rapariga, um futuro incerto, um de três fins e, a cima de tudo, um sonho.
Saí de casa sem saber ao certo o que ia acontecer. Sabia tão bem que queria ir mas não sabia o que esperar de ti… É o mal das surpresas, nunca se sabe o que nos espera… Qual a reacção que vais ter… Se eu pudesse adivinhar, talvez fosse mais confiante ou talvez nem fosse… Mas fui. Percorri estas ruas tão conhecidas e movimentadas. Fui. A cada segundo estava mais perto de ti… A cada segundo que passava estava cada vez mais perto de ti… De te abraçar, de te beijar, de te ver a cima de tudo. Mas já me estou a adiantar… Quem sabe o que mudou neste tempo que passou? Nem tu nem eu podemos partir do princípio que tudo está igual… Podemos apenas esperar que as coisas não estejam assim tão más…
Fui. Sem saber bem onde era, na loucura da aventura… Desci as escadas em direcção ao sítio onde eu sabia que tu estavas… O meu coração acelerava à medida que eu ia avançando no escuro… Estava nervosa, admito que sim… Mas continuei… E tive a certeza que era isto que queria quando ouvi a tua voz… Estávamos tão perto e no entanto tu não fazias ideia… Ganhei coragem, venci o medo, suspirei e entrei… E ali estava eu… A olhar para ti como se de um sonho se tratasse… Naquele momento percebi que todos os acasos fizeram sentido por uma razão, tudo tinha sido perfeito… E, naquele momento, eu soube que tinha sido uma boa ideia…
Estranha. Uma estranha. É isso que sou. Algo diferente do que era quando aqui cheguei. Estranha. Como estas ruas frias, como esta língua… Estranha. Costumes e hábitos tão diferentes dos meus… Pequenas coisas que me rodeiam e que criam em mim memórias. Que irão criar em mim saudades como aquelas que sinto da minha terra. Minha, só minha!
Passeio pelas ruas encasacada… E mesmo assim tenho frio. Por todo lado vejo mãos… Símbolos desta cidade. Por todo lado vejo mãos… E eu só quero dar-vos a minha… Agarrar-me a ela para me dar força para continuar. Por apenas um segundo que seja… Um momento. Um sonho, é o que é… Estou aqui e vocês não… Estão lá e eu não… A minha vida simplesmente não é a mesma sem vocês ao meu lado.
Fecho os olhos. Sinto o ar gélido na minha cara. Fecho os olhos e é como se vos ouvisse chamar por mim, é como se… Como se estivessem aqui, ao meu lado, a dar-me a mão.
O tique-taque do relógio persegue o meu silêncio. Procuro um momento sem ele, um momento em que possa não contar o tempo. Porque se eu contar os segundo, minutos, horas e dias… Se eu contar as semanas, os meses e até mesmo os anos, o que serei eu? Não passarei de alguém que simplesmente viu a vida passar. Não quero. Não quero ver, quero viver. Quero estar lá e sentir como são as coisa. Quero tentar, errar e aprender… E se não aprender à primeira, aprendo à segunda. Quero arriscar e dizer o que penso, o que sinto e o que acredito. Quero, simplesmente quero… E vou fazê-lo.
Ao Dono do Meu Coração
As saudades já começam a aparecer… Apesar do meu andar atarefado e da minha falta de tempo para pensar em ti, aparece sempre algo que desperte em mim a falta que me fazes. Sonhar contigo à noite tornou-se um refúgio. És o meu porto seguro. Quantas vezes pego no telemóvel na esperança de ter novidades tuas ou para te ligar mas sei que não tenho direito de o fazer…
Por vezes lembro a “nossa” música. Não é bem nossa, nenhum de nós se apropriou dela… Mas lembrar o momento em que ma cantaste faz-me esquecer por um minuto os quilómetros de distância que nos separam. Num segundo estou novamente encostada a ti e a ouvir-te cantar… São estes pequenos momentos que me fazem sentir viva.
Tenho saudades das nossas conversas. Conheces-me tão bem que nem preciso falar… Este sentimento recíproco dá cor à amizade e torna-a mais que perfeita. Contigo qualquer defeito é qualidade e sem ti o tempo perde significado.
Antes de deitar costumo pensar no que o tempo nos fez e no que nos fará… Costumo imaginar o reencontro, mas o medo toma conta de mim. Esperas por mim? Sei que se calhar estou a pedir algo mais do que mereço… No entanto continuo a sonhar e tu fazes parte desse meu mundo de ilusão, independentemente da tua função nele. A tua presença é o suficiente para que a minha vida tenha algum sentido.
Sei que este tempo é um teste a mim, a ti e a nós. Sei que provavelmente nenhum de nós passará… Mas as coisas estão resolvidas entre nós. “Sem sentimentos de perda” dizes tu. Haja o que houver, eu já te perdi. Porque qualquer que seja o caminho que percorramos, as pegadas ficam marcadas e não as podemos apagar… Elas fazem de nós quem somos agora… Uma sequência de decisões certas ou erradas…
Mas não te quero tirar mais tempo… Assim me despeço…
Até um dia

Aos anos que sei quem és…
Mas só agora te conheço.
Criaste em mim um lugarzinho que jamais alguém pode ocupar…
És a minha luz…
Iluminas a minha vida em qualquer situação.
Discutimos pormenores que para outros não têm importância
Falamos, sem palavras, do que queremos, vemos, ouvimos e sentimos
E passeamos, damos voltas sem fim…
Porque as nossas conversas não acabam.
Porque é a nossa cumplicidade…
Porque é a nossa vida…
Porque és a minha luzinha…
Brilhas todos os dias na minha vida.



